Cidade vs Aldeia – Avaliação 2 Meses

O separador Vida Rural surgiu com a minha mudança de Lisboa para a aldeia do Vale da Senhora da Póvoa, há dois meses. Hoje partilho as diferenças que sinto.

Em termos gerais, sinto-me bem! Era isto que queria e estou feliz por ter tomado esta decisão e ter dado este passo. Claro que nem tudo é um conto de fadas, mas sinto que não o é em lado nenhum deste mundo. Para além disso, estamos em pleno Verão e nesta altura tudo sabe melhor, nem que seja porque as reservas de Vitamina D estão cheias e a pele humedece frequentemente nas praias e zonas balneares deste país.

Praia Fluvial “O Moinho” – Benquerença

É necessária adaptação ao facto de ter que percorrer quase 80km no total de cada vez que preciso de algo que só encontro na cidade. Felizmente, graças às desenvolturas do século XXI e às vicissitudes que a pandemia criou, dou por mim a preferir as compras online. Tudo o que eu consiga mandar vir online, mesmo que seja até 10€ mais caro, eu prefiro à deslocação. E eu até era uma pessoa que gostava de ir à loja tocar nas coisas e baralhar as ideias, ao ponto de nem trazer nada do que ia em busca inicialmente. Quiçá assim me torne mais decidido.

Nesta altura do ano, e na zona em que estou, em particular, o calor é extremamente agressivo. Como muitas das tarefas que eu tenho para fazer são ao ar livre, torna-se uma luta constante contra a cabeça para aceitar e tolerar o calor enquanto trabalho. Assim, aproveitei o embalo que já trazia do meu trabalho em Lisboa e comecei a sair da cama às 5:30 para começar a trabalhar pouco depois das 6h. Agora, as tarefas são muito mais toleráveis! Destaque ainda para o facto de que largo o trabalho no campo às 9h e tenho de sobra todo um dia pela frente para o trabalho de computador ou, nos dias em que estou adiantado, de mergulhos pela barragem.

O trabalho de computador também exige alguma adaptação! A estrutura da casa é em madeira, o que, com a exposição solar, torna o interior bastante quente também. Não fosse uma ventoinha enorme a apontar para mim e também este trabalho iria requerer uma outra adaptação, que para já ainda não foi necessária. Hajam ventoinhas!

Por último, mas não menos importante: As expressões! Estou na zona limítrofe da Beira Baixa com a Beira Alta e existe aqui uma grande fatia de pessoas, como em praticamente todo o Interior, de idades mais altas. Acontece de forma pontual em conversa alguém utilizar uma expressão incomum e eu ter de parar a conversa para perceber o que querem dizer ou, por vergonha, aceitar e nem questionar. São muitas e difíceis de decorar, por isso estou decidido a, em determinado momento sem prazo temporal, compilar todas as que consiga num artigo.

Em miúdo, nas aulas de Português com conjugação de verbos, questionava os professores sobre qual a aplicabilidade da 2ª pessoa do Plural, ao que me respondiam sempre algo como “para perceber os diálogos em filmes, livros ou peças de teatro sobre os tempos antigos, da Monarquia”. Pois hoje respondo que é extremamente necessário para ter um diálogo aqui na Beira Interior. Todos, novos ou velhos, utilizam o vós para dirigir diálogo no plural e não o vocês, por isso é comum ouvir coisas como: – “Vós ficais cá muito tempo?” – Muito, espero eu.

Desfocados, mas com foco em ficar por cá

Para os próximos meses quero explorar algo que também é tradição por aqui e eu gosto imenso: as feiras e mercados. Estou a juntar as datas de cada mercado para os ir explorar e fazer umas comprinhas. Aliás, já comprei na feira do Sabugal uma bela boina, claro! Quero também continuar a explorar, de moto e a pé, a infinitude de Natureza e beleza natural que por cá existe. É só aguardar que as temperaturas baixem um pouco dos 30ºC!

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Até já.

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