Legado

Morrer é algo tão finito, tão definitivo…porquê?

Porque vimos a este mundo, se chegamos e partimos como um pedaço de carne? Porque recebemos o dom de pensar e executar se, por vezes, nada deixamos?

A morte assombra-me desde que me lembro, mas só agora estou a descobrir que esta assombração não passa da uma constatação do óbvio: cá calhará! E por não ser imune, mais do que temer a morte, preciso de aprender a viver.

Na minha assombração alguns mortos ainda vivem. Alguns dos que por mim passaram deixaram um legado que ainda sigo, ou busco igualar. Outros vivem em mais que em mim apenas; aqueles que deixaram um legado vivo na história da gente e que fez de si imortais, mesmo que a sua carne não mais ocupe o nosso espaço físico.

Assim, eu entendo que viverei tanto quanto a dimensão do meu legado. Não mais perseguirei moedas, notas ou dígitos numa conta. Não mais trabalharei apenas pelo simples privilégio de sobreviver.

Quero finalmente respeitar a Natureza e ser parte do seu equilíbrio, pois Nela quem morre logo garante a vida de outrem, como quem executa fá-lo para que numa perspectiva maior, todos beneficiemos.

Também a Terra morrerá. Deixará ela um legado? Seremos nós parte dele?

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