Encontro Nacional Africa Twin 2019

A vontade de marcar presença neste evento surgiu em 2018, nas vésperas da minha aquisição da Dirqwana, quando o Facebook, nomeadamente o grupo Africa Twin Portugal, foi invadido por um mar de publicações de alegria, amizade e motas. Tantas motas, e nem todas Africa Twin! Foi na ressaca do Encontro Nacional Africa Twin 2018 (ENAT).

Quando fiz a minha apresentação no grupo com a nova montada fiz também a promessa: “No próximo ano mostro a mota no Encontro!“, reforçada posteriormente, quando coloquei a Dirqwana à venda e prometi ir na mesma, com outra mota. Felizmente acabei por a manter e cumpri a promessa inicial.

Estava longe de imaginar os moldes em que surgiu a minha participação nesta edição do ENAT, talvez porque estava também longe de imaginar que seria este o caminho do Terra, Rocha e Alcatrão. Finalmente associei a minha atividade profissional a este hobbie, que tantas horas e carinho me merece, e por isso finalmente lancei o primeiro evento Terra, Rocha e Alcatrão: o Workshop de Postura Motard. Com este evento pretendia ajudar condutores de moto a corrigir, melhorar ou consciencializar a postura adoptada em condução e prevenir eventuais dores. Pretendia que o nome deste Blog fosse algo maior, algo com que o público se identifica!

Workshop de Postura Motard

Infelizmente o evento original não teve inscritos suficientes, pelo que foi cancelado. Porém, quando soube do evento, o Nuno Maia, administrador do AfricaTwinPT, não só se inscreveu como também me convidou para repetir o Workshop no ENAT, que ele estava a organizar e para o qual precisava de dinamismo. Assim começou um novo capítulo na história do Terra, Rocha e Alcatrão.

Sábado, 6 de Julho, é o meu dia de abalada rumo a Tremoceira (Porto de Mós). O Nuno tinha-me avisado que o passeio, apesar de ter partida marcada para as 9:30, deveria atrasar, pelo que eu fui descansado ao longo do caminho. Saí de casa por volta das 8:30 e fiz-me a um caminho familiar, pela IC2 fora, com paragem marcada em Rio Maior. Curioso que andava com vontade de fazer uma qualquer volta alcatrão fora sozinho, por isso fui a delirar, com música a tocar no intercomunicador do capacete e aquela brisa fresca a entrar pela viseira. A foto da nostalgia, naturalmente, fez-me perder o comboio Africa Twin para o passeio de grupo, que iria culminar no almoço. Mas era obrigatória!

Escola Superior de Desporto de Rio Maior

Não é curioso que a primeira vez que tenho oportunidade de dar vida ao Workshop de Postura Motard implique uma passagem por onde tudo começou? Pela Escola Superior de Desporto de Rio Maior, onde me licenciei numa área que, em primeiro lugar, nem era aquilo que eu queria fazer da vida! Já fui mais descrente dos conceitos de destino, Karma e da ideia de que o que tem que acontecer, vai acontecer!

Tiro a foto – que nem saiu nada de jeito, diga-se – e retomo caminho pela IC2 rumo ao ENAT. A parte aborrecida da IC2 – a recta interminável – foi o local do aumento do meu ritmo de condução e das constantes ultrapassagens. Um ritmo que manteria mais uns quilómetros, uma vez que no Rodas d’Aço Motor Clube já só o Rodrigo me esperava para me encaminhar ao local onde poderia descarregar a bagagem. Deu-me as indicações que conseguiu e, no facebook (onde mais?), recebi as derradeiras instruções: Ponto de encontro Foz do Arelho. Segui! Mais uns quilómetros sozinho até me conseguir encontrar com o grupo.

Foz do Arelho

Na foz do Arelho, tempo para apreciar uma praia onde também já passei alguns serões, para um curto passeio a pé enquanto fazia tempo e para a dúvida: Será que eles já passaram por aqui e não os vi? Montei-me na Dirqwana novamente e segui a baixo ritmo, em jeito de detective, à procura de sinais de um grande grupo de motas. Quem busca sempre alcança e por mim passou a caravana Africa Twin, em sentido oposto ao que eu seguia, a buzinar, cumprimentar e a pedir para me juntar a eles. Pois claro que me juntei!

O meu encontro com o grupo

À nossa espera convenientemente tínhamos uma concentração motard de um grupo local onde nos pudemos hidratar e socializar um pouco. Encontrei algumas caras amigas, cumprimentei o Nuno e fui enturmado no grupo. A Africa Twin é um modelo de mota icónico e é sempre assoberbante estar num grande grupo destas motas. Desde os modelos mais antigos aos mais recentes, nesta quantidade viram qualquer cabeça que circule na via pública, para admirar, apreciar e disfrutar. Este era um grupo que circulava sem ultrapassagens, rateres, buzinadelas ou exibicionismos de outra espécie. Era como se de um grande grupo de amigos se tratasse, que estavam todos juntos a passear com um destino em comum, pelo menos assim viam os de fora; assim via eu, junto às KTM ou Yamaha que faziam parte do grupo.

Variedade de motos nas Salinas de Rio Maior

O passeio interrompe no almoço, aconchegante como se quer, no Restaurante Norpizzas em Arrimal, e retoma pela Serra d’Aire e Candeeiros, onde a vista vale cada pedaço de borracha gasta no pneu e cada gota de gasolina consumida pelo motor das nossas motas.

O passeio termina onde tudo começou: no Rodas d’Aço Motor Clube. Este é um espaço novo e, por isso mesmo, a primeira vez que o ENAT lá monta a sua base. Tive várias oportunidades de conversar com o Rodrigo – quem me recebeu na primeira chegada – que é o presidente do local. Ele foi partilhando um pouco comigo daquela que é a visão do Motor Clube e para o Motor Clube. O próprio conceito é diferente daquele a que alguém está habituado: Um motor clube, onde qualquer motor é bem vindo! Local para os amantes de carros, motas, jipes, moto4, enfim…para os amantes de motores ou do que eles nos proporcionam! O Espaço ideal para este grupo, portanto!

A tarde de partilha arranca comigo, no Workshop de Postura Motard. O primeiro de sempre! Coloquei a Dirqwana numa sala fechada, e que bem que isso me soube! O ambiente era o de uma sala de aula, com destaque para uma mota e o que nela se ia fazer. Quão louca é esta ideia!?

Os primeiros a chegar para o Workshop

Só me pude derreter em orgulho e satisfação quando as palmas se fizeram ouvir e os elogios foram surgindo após o workshop. Julgo que ninguém cria algo sem esperar ter sucesso ou sem ambicionar o reconhecimento de qualidade por parte de quem usufrui do que foi criado. A minha veia de artista não tem rodeios em admitir que adora o reconhecimento, tal como eu admito que me sabe bem o elogio. Agrada-me a utilidade que posso ter com o Terra, Rocha e Alcatrão e espero alcançar sempre a qualidade desejada por quem me lê, desse lado!

Seguiram-se a mim o sempre excelente Rad Raven com a cobertura do Lés a Lés Offroad 2018 e logo depois o João Luís, conhecido viajante de moto, para partilhar testemunhos e experiências de quem viaja de moto, sozinho, para locais onde muitos não ousam sequer voar.

Durante todo o dia, com extensão para o período noturno, o evento foi suportado pelas lojas Rod’Aventura e Biker, parceiras do grupo e referências na Aventura (e diversão) em moto, bem como pelo bar do Rodas d’Aço com a indispensável imperial, porco no espeto (que é sempre motivo mais que suficiente para me vender a participação em algo), sopa da pedra e outros hinos ao paladar lusitano, todos incluídos no valor a pagar pela inscrição no ENAT, bem como autocolantes à boa moda de qualquer vaidoso motard – até eu fiz autocolantes Terra, Rocha e Alcatrão para distribuir! – e ainda o item que mais gosto me dá receber em qualquer evento: A T-shirt alusiva. É verdade, eu adoro uma t-shirt que comprove que eu estive ali! Sou jovem, mas velho quanto baste para ser do período pré-instagram. No “meu tempo” as t-shirts eram o comprovativo de presença!

Autocolantes Terra, Rocha e Alcatrão

Com um dia tão em cheio, inevitavelmente o cansaço chegou cedo ao meu corpo e lá fui eu montar a tenda no espaço dedicado ao efeito. Naturalmente que uma pernoita em tenda, com mais campistas em redor, origina sempre um acordar de convívio e diversão, nem que seja para partilhar das dores – do corpo ou dos ouvidos.

Aquela foto da praxe

No dia seguinte, infelizmente por diversos motivos, não pude marcar presença no passeio Offroad, mas pude confirmar posteriormente que há-de ter sido igualmente um excelente momento de convívio e diversão.

Conheci ao longo de todo o ENAT diversas pessoas que estou habituado a ver pelo Facebook e com quem já interagi por essa via. Aqueles nomes que parecem super acessíveis no ecrã e que acabam por comprovar as ideias pré concebidas quando o corpo acompanha o nome e com eles partilhas do teu tempo. Partilhei também do mesmo espaço de todo um Staff, provavelmente voluntário, que fez tudo para que todos se sentissem bem.

Tal como acontece ter o azar de participar em eventos que correm menos bem, também posso ter tido a sorte de participar num evento que correu mesmo muito bem. Porém, o carácter e entrega de todos os que organizaram, bem como o espírito dos que participaram, levam-me a crer que este ENAT2019 não foi apenas um evento de sorte. Basta reler o primeiro parágrafo deste texto!

A abordagem dos membros afetos ao evento nunca foi a de fazer um evento melhor que outros, ou igual a outros. A abordagem foi a de fazer um evento, o melhor que sabem. O resultado foi este.

Diversidade no Encontro Nacional Africa Twin 2019

Agradeço, agora por escrito, ao Nuno Maia pelo convite e oportunidade de levar o Terra, Rocha e Alcatrão um pouco mais além.

Vemo-nos, se não antes, no Encontro Nacional Africa Twin 2020!

One thought on “Encontro Nacional Africa Twin 2019”

  1. Estive presente e gostei muito da tua apresentação pois é um tema muito importante e foste muito claro e com a profundidade qb.
    Também gostei de ver a AT lá dentro eheh

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