Dilema

Foram três meses de dilema. Durante três meses fui pesquisando, pensando e desabafando no Instagram enquanto a Dirqwana repousava nas páginas do OLX.

A minha decisão estava tomada: vender a Africa Twin e comprar uma CRF250L Rally. Não porque não gostasse da mota ou porque ela me desse problemas (para além dos “quêzinhos” da idade), mas porque efectivamente ela me dá despesa.

Sendo o meu único veículo e aquele que uso no dia a dia, a minha despesa ronda – só em combustível – os 150€ mensais. Junto aos quilómetros “obrigatórios” da semana os de fim de semana e facilmente ultrapasso a marca dos 1000km num mês e os 200€ em gasolina. Isto para não falar do desgaste que uma mota com 24 anos leva em 1000km de deslocações de 15′ várias vezes por dia.

A minha decisão passava então por baixar a cilindrada e, por isso, o consumo mensal de gasolina. Junta-se essa despesa menor ao facto de comprar mota nova e teria poupança mensal garantida pois também teria menos gastos com material de desgaste.

Infelizmente tenho de ser muito mais racional do que passional quando tomo as minhas decisões e esse pormenor foi esquecido quando comprei a Africa Twin. Eu queria uma mota que me permitisse fazer a vida quotidiana e ainda verdadeiras aventuras offroad, mas ignorei o pormenor de que uma mota assim com 750cc e 24 anos teria consumos muito maiores do que a minha anterior NC700x (exatamente o dobro).

Aventura fora de estrada

Ainda relativamente ao tópico da despesa, importa referir que quando pus a mota à venda tive uma queda quase parado que fez uma mossa na proteção de cárter, causando uma enorme quebra na minha confiança sob pena de eventuais represálias financeiras ou de privação de meio de transporte, o que fez com que durante 3 meses eu não tenha feito nada mais do que deslocações casa-trabalho…e me tenha roído de inveja de todos os que me convidaram para divertir e a quem inventei mil desculpas para recusar cada convite que me era feito.

Foi, no entanto, num final de dia pós-trabalho que a Marta abordou a temática moto da seguinte forma:
Ninguém quer oferecer o valor da mota. Tu gostas bastante dela não é?
Correcto – respondo eu na expectativa.
E se pegasses no dinheiro que vais meter para comprar a Rally e o usasses para comprar uma scooter e pôr a mota tal e qual como tu a queres? Assim temos duas motas e eu até posso conduzir a scooter quando precisar.

Eu parei, encarei-a e imaginei a minha pessoa aos comandos de uma scooter e só me ocorreu perguntar:
Tu usarias a scooter?
Só uma resposta possível me faria mudar a decisão de vender a mota e foi essa mesma que ela me deu: Sim!

Estava então decidido: A Dirqwana vai levar a merecida intervenção para ficar apta para aventuras sem remorsos logo que eu adquira uma scooter, e a Marta vai começar gradualmente a conduzir mota! Isto merecia comemoração!

Aceito finalmente um convite para ir andar de mota. Direção: Apostiça. E nada melhor que um dia de Carnaval invernal para o efeito!

Com pneus a pedir reforma, eu sabia que a minha tracção ia ser reduzida, o que seria diversão garantida na gravilha, porém uma ginástica enorme em areia, que me levou mesmo ao chão algumas vezes! Nada que me preocupasse desta vez, afinal de contas eu estava novamente feliz!

Retirando a mota depois de atolar em areia

Numa das muitas danças, uma levou-me ao chão e a uma experiência sem dúvida desagradável, mas deveras consciencializante: eu ia concentrado em mim, não ouvi outros motores e por isso deixei que a queda que dei me projetasse para o aconchegante monte de areia. Assim que me deito no chão passa imediatamente por cima de mim uma mota de enduro! Eu não a tinha ouvido, e o rapaz que a conduzia não contava que eu caísse, muito menos quando se preparava para me ultrapassar. Ele ficou bastante tempo comigo a certificar-se de que eu estava bem e a ajudar com apertos à Dirqwana, já eu levei de recoração algumas nódoas negras e o aviso de maior prudência no trilho. Nunca estamos lá sozinhos!

O grupo depois do atropelamento

Perto do final um companheiro teve um furo e, depois de seguir caminho para casa com espuma nos pneus, nós fomos terminar o trajeto no Cabo Espichel com pão com chouriço e fotos à beira mar.

Tentativa de Selfie

Foi um reanimar do meu sorriso por andar de mota! Belo Carnaval!

7 thoughts on “Dilema”

  1. Faço minhas as tuas palavras, só que em vez de uma AT tenho a concorrente (XTZ 750 de 1995) já com 105mil km, a qual ando todos os dias todo o ano. O meu dilema difere do teu na questão da 2ªmota: ou invisto em algo mais recente para o dia a dia (XTZ 1200 por exemplo) e arranjo esta para os passeios em off road ou se compro algo mais vincado para o off road (TT 600, por exemplo) e mantenho esta para o dia a dia. A ver vamos 😉

    1. É de facto um dilema muito semelhante! Acho que tudo depende da utilização que vamos dar à mota e de que facto a que temos corresponde ao que vamos fazer. Para mim, que faço um misto de cidade e IC, a minha antiga NC seria perfeita, mas não consigo chegar ao valor dela mantendo a AT. No entanto a NC não serve para a utilização Todo o Terreno que lhe quero dar e por isso ter uma utilitária ou a scooter é lógico pelo consumo e pela despreocupação que é para mim ter uma mota assim. Sou fã da “velhinha” análise SWOT no papel e conclusões que daí advêm 😁

      Boa decisão!

  2. Já andei com uma scooter em circuito urbano mas não me serve (por um lado não me dá prazer de condução e por outro existem dias em que chego a fazer mais de 100km em voltas na cidade e arredores). Depois existe o bichinho do todo o terreno que sempre que posso lá vou eu 🙂

      1. Ou uma maxitrail (xtz 1200, ktm 1190, etc) ou uma de TT (dr 650, ttr 600, etc). Vai depender do orçamento disponivel

    1. Rui, se der uma vista de olhos no meu Instagram nota que já testei a Himalayan e até gostei da mota. Porém não foi construída para o meu estilo de condução, ao contrário da crf250 Rally que, apesar da menor cilindrada, até tem os mesmos cavalos. A Dirqwana vai mesmo ser a escolhida.

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