Review – Botas TCX X-blend

Esta é uma revisão imparcial, feita sem qualquer tipo de patrocínio e por alguém que pagou pelo material que aqui revê (vá, esta parte não é totalmente verdade, como vai ser possível ler a seguir). Quero por isso acreditar que será a revisão mais honesta do mercado!

Estas botas foram-me oferecidas pela minha namorada como prenda de Natal em 2016, completamente às escondidas, sem que eu suspeitasse ou pensasse sequer nelas, porque não as conhecia! Antes que eu me desdobre em inevitáveis declarações de amor e justificações para o facto de ela hoje ser minha noiva, vou já antecipar que na altura o equipamento que eu tinha era um casaco de gama baixa da Storm (marca vendida pela Motovest) e um capacete modular também de gama baixa da LS2. Nunca tinha gasto mais de 100€ em qualquer tipo de equipamento e estava naquele momento a descobrir a importância de andar bem equipado. Ela procurou aconselhamento junto de quem já o fazia para me ajudar a iniciar a jornada de bem equipar.

Tamanhos
Lateral da caixa TCX

Eu calço o 44 em quase tudo, sendo que o 44,5 é a solução para quando o 44 está apertado. Olhando para os meus sapatos a Marta decidiu arriscar no 44 e encomendar na Caparica Peles. Quando as calcei e vi que encaixavam na perfeição, deu para adivinhar logo o tipo de bota que tinha nos pés: algo ergonómico, confortável e até a fazer sentir como uma normal bota de caminhada. Para não falar na estética!

Entramos assim no primeiro ponto a constatar destas botas:

  • Versatilidade – São botas de motociclismo que eu uso no dia a dia ou numa qualquer aventura e em momento algum sinto que não tenho botas para caminhar ou para andar de mota. Pelo contrário, sinto que tenho botas para tudo! Desde andar na cidade, passar para a terra, sair da mota e andar a pé, subir uma qualquer encosta de uma montanha ou, se quiser, apenas ir fazer a caminhada ou passar um dia normal de botas calçadas. Apesar de reconhecer que não é este o conceito delas, já aproveitei a sua versatilidade na minha primeira aventura pelo Adventure Country Tracks e afirmo aqui que elas cumpriram! No entanto não aconselho alguém a fazer mais Offroad que apenas uns estradões com estas botas.

Como não equipar
A figura do menino no ACT

 

Por ser uma bota extremamente versátil ela é naturalmente de cano curto, ou seja, protege apenas até um pouco acima do tornozelo. O que isto significa? Quaisquer impactos acima do tornozelo doem! Por muito tonto que isto possa parecer, caneladas nos poisa pés acontecem, especialmente quando se faz Offroad ou se manobra a mota em espaços apertados. Se os poisa pés forem metálicos, largos ou pontiagudos, qualquer canelada vai-se fazer sentir. Estamos a falar de preciosismos, mas que devem ser tidos em conta na aquisição de qualquer bota: o uso que lhe vamos dar determina a escolha!

  • Segurança – As botas têm biqueira reforçada, tal como o local do tornozelo. Previnem lesões com impactos de frente no pé e impactos laterais no tornozelo, bem como eventuais entorses. Transmitem segurança quanto baste, no entanto a marca faz questão de deixar bem presente nos documentos que envia dentro da caixa a pontuação dos vários testes feitos e o real comportamento da bota em caso de acidente. Têm ainda uma costura reforçada na zona do pedal para os dois pés, porque também acontece colocar o pé direito por baixo do pedal do travão!

Manual + testes
Documento simples com nível de segurança pós-testes
Segurança no Manual

 

Utilizando a bota numa base diária há dois anos, já passei por dois invernos com ela calçada e por algumas valentes tempestades. Eu uso mota todos os dias independentemente das condições meteorológicas e utilizo as botas sem qualquer proteção impermeável por cima. Confio a 100% nas propriedades impermeáveis dela, e tenho motivos para isso!

  • Impermeabilidade – As botas são 100% impermeáveis. É isso que a marca vende, e garanto que é isso que elas são! Já passei por dias de tempestade, com chuva intensa; Já passei por granizo; Já pus o pé dentro de poças e até dentro de rios! Consigo ter sempre o pé seco, excepto em pontos muito específicos, como uma determinada zona do peito do pé onde por vezes não aperto bem o atacador e, por ser a zona onde a bota dobra por causa da passada, entra um pouco de água, ou o único ponto sensível que conheci a estas botas no que a este ponto diz respeito: a ponta do dedo grande do pé. Parece que quando bate água em abundância a ponta do pé fica húmida e, se esta abundância se mantiver, a humidade espalha para outros dedos. Não chega para deixar a meia ensopada, mas confesso que pode incomodar os mais sensíveis. Volto a alertar para o facto de ser uma bota de cano curto: calças molhadas, se não sobrepuserem totalmente a bota ou se ficarem por dentro da mesma, fazem entrar água!

 

Caixa TCX

Eu sou conhecido por estimar as minhas coisas, mas por raramente as ter bonitas como novas! Paradoxalmente, trato bem as minhas coisas mas levo-as ao limite das suas capacidades, o que me leva a acreditar que o que eu tenho é bom, pelo menos para o que eu faço. Ou então eu adapto-me muito bem às limitações do meu material…é possível.

  • Durabilidade – As minhas botas têm 2 anos de utilização e cerca de 10000 (dez mil) quilómetros feitos. Como não as uso no Verão, elas têm tendência para ser sempre algo maltratadas. Tirando visíveis riscos de utilização, de raspar no poisa pés, de roçar no seletor de mudanças ou de se esfregarem por entre silvas e rochas, elas estão irrepreensíveis! O único material que não aguenta o uso são os atacadores. Já troquei duas vezes de atacadores até ter descoberto uma fórmula que até agora está a ser de sucesso: atacadores de caminhada reforçados, da Decathlon. Se eu conhecer quem compre estas botas novas dou logo a recomendação: troca os atacadores por uns realmente bons! Não vão durar 3 meses, pelo menos se forem tratados como eu os trato. Outro conselho que dou é o de não lavar as botas…isso mesmo! Material impermeável é assim porque leva uma série de acabamentos para que a água fique do lado de fora. A partir do momento em que lavamos algo assim poderemos estar a retirar esses acabamentos e comprometer a qualidade impermeável do material. Eu opto por retirar a poeira das botas com água corrente ou com chuva e coloco a bota a arejar para remover eventuais maus cheiros, apesar de surpreendentemente nunca ter tido estas botas a cheirar mal. Também não acrescento quaisquer sprays impermeabilizantes ou de limpeza.

2 anos de uso

Conclusão

Adoro estas botas! As TCX X-blend são botas que ainda estão no mercado entre 170€ e 200€ e valem bem o valor, se o uso for citadino ou de turismo. São esteticamente agradáveis e por isso facilmente calçadas com roupa do dia a dia, mesmo que não se vá andar de mota, ou que se vá de mota para um qualquer evento social. Confortáveis, podem ser usadas o dia todo. Ideais para o conceito de Café Racer, Scrambler, ou qualquer outro num contexto descontraído.

6 thoughts on “Review – Botas TCX X-blend”

  1. Tenho umas iguais e reforço tudo o que aqui foi dito, são simplesmente um espectáculo, bonitas e efecientes como eu gosto. E mais uma vez parabéns pelo excelente post.

  2. Boa tarde! Desconhecia este modelo mas confesso que a fantástica review despertou o interesse. Tenho uma questão a colocar se me permitem que é, como se comporta a sola em termos de aderência? A questão é mais no sentido da utilização em tempo de chuva, alcatrão molhado ou escorregadio..

    Obrigado pela review!

    Parabéns

    1. Boa questão António! Foi algo que não mencionei porque nem me ocorreu uma sola de botas de mota que não adere…Em alcatrão agarra muito bem! Em pedra molhada (tipo calçada) é preciso ser cauteloso, mas para escorregar tem de ter posto o pé longe da mota, ou a mota tem de escorregar primeiro. Espero ser útil!

      Obrigado pelo apoio!

  3. Boas, estou a precisar de trocar de botas e estas parecem uma excelente alternativa, li na tua review que não as usas de verão, são demasiado quentes?

    1. Olá Miguel, não se trata bem de serem demasiado quentes. No verão sou bastante descontraído e infelizmente para mim coloco um pouco a segurança em causa. Uso-as se fizer uma saída com pedaços de estradão, se chover ou se souber que vou andar bastante de noite. Elas são tão “normais” que me sinto estranho a usar de verão!

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