Importa(ção)

Portugal, um país de costumes e tradições, de história, conquista e determinação: em fazer deste um cantinho respeitável no Ocidente da Europa. Inconquistável, inquebrável, importável.

Num paralelismo entre o passado e o presente, sinto ser bastante curioso que sempre tenhamos feito os melhores negócios de trocas, sempre tenhamos recebido tão bem produtos e tradições, e sempre tenhamos utilizado tão bem o que recebemos para criar algo nosso.

A mais antiga carta náutica portuguesa conhecida, mostrando o resultado das viagens de Vasco da Gama à Índia, Colombo à América Central, Gaspar Corte Real à Terra Nova e Pedro Álvares Cabral ao Brasil, com meridiano de Tordesillas assinalado. Biblioteca estense universitária de Modena.

 

Seremos o produto da Importação?

A ocupação árabe em Portugal terminou em 1249 mas o esplendor máximo do turismo no nosso país é a sua herança: Al-garve. Reza a lenda que a maioria das palavras começadas por “Al”, na língua portuguesa, são de herança árabe. Cerca de 700, para referência.

Vivemos o que é nosso ou vivemos o que é vosso?

Em 2018 rara é a rádio que não passa um reggaeton ou um hip-hop americano, rara também é aquela que passa algo cantado na nossa língua, mesmo que estejamos numa fase em que se conhecem tantos e tão bons artistas em português! Temos o Fado como Património Imaterial da Humanidade, pela Unesco. Não ouço. Temos o hip-hop tuga, que até ao resfriamento das grandes figuras nacionais, falava de insurreição e obstinação! Hoje, será que perdemos tempo a interpretar a letra das músicas que nos chegam pela rádio? Talvez seja melhor que não.

Profissionalmente falando, vivemos na era do desemprego e precariedade. Da qualificação excessiva e da fuga por uma oportunidade. Quão fácil é emigrar, se no Net-Empregos difícil é encontrar um termo português para trabalhar?

Importa pouco, mas importamos tudo.

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