Verão (e)migrante

É Verão e o nosso país fica invariavelmente preenchido por gente de países estrangeiros. Nas ruas ouve-se de tudo:

Oh how adorable is this? – contempla o britânico na rua Augusta;

Pero que fria es la agua! – surpreende-se o espanhol nas águas algarvias;

Buona sera. – cumprimenta o italiano ao entrar numa pastelaria no Porto;

On va a la plage? – pergunta o jovem “francês”, um pouco por todo o país.

É inegável que o turismo em Portugal cresceu, imenso! É também visível o prazer que o Lusitano tem em falar sobre o seu país, em vendê-lo lá fora, e a dificuldade que é responder à pergunta “O que devo visitar?”. O nosso país tem tanto de tão bom e é de facto com muito espanto que alguém alheio à realidade económica e social do nosso país se apercebe que há muito português fora de Portugal, em todos os cantos do mundo!

Primo de uma emigrante, exatamente com a mesma idade que eu, e desde sempre frequentador de locais de férias que o emigrante escolheu para matar saudades do seu país natal, esta é uma realidade que nunca me foi indiferente, ao ponto de também eu ter tentado – e fracassado – a saída deste meu Portugal.

São diferentes as realidades: o emigrante por “obrigação”, sem qualificações e por isso em busca de trabalho não qualificado melhor pago, ou aquele demasiado qualificado, sem trabalho por cá ou com trabalho de carreira estagnada e de rendimento ao nível de qualquer trabalho de verão, que um adolescente agradece para ajudar a pagar os seus estudos ou as suas ambições; o emigrante “por opção” cuja carreira lhe permite escolher onde trabalhar, cujo espírito livre e de aventura o leva a experimentar, ou cuja qualidade de vida pode aumentar, ainda que longe do seu país.

Sou fã dos emigrantes, invejo-lhes a audácia! Trocar o certo pelo incerto, o suporte familiar pelo fio da navalha, o contacto com os amigos pela criação de novos, a língua que é sua por outra, que cá ouvimos apenas na escola ou…no Verão! E aqui distinguimos o emigrante do imigrante: o que regressa para uma língua que é sua, ou o que traz uma língua que cá ouvimos, mas que não é nossa!

Distinção entre o visitante saudosista e o turista…de verão.

Deixa aqui o teu comentário