Volta de Desabafo

Desabafo: Tenho a mota à venda há três meses. Ninguém oferece o que eu peço, cada vez dou mais desgaste aos componentes que ela precisa de trocar a médio prazo (pneus e kit de transmissão), existe uma mota à venda que corresponde EXATAMENTE àquilo que eu quero; Estou stressado pelo trabalho, pela vida no geral…Pela cidade!

Um amigo – chamemos-lhe o presidente – tem o fim de semana livre: Fotógrafo que chegado a Maio e até Outubro não vê outro serão de Sábado que não seja criar memórias para 80% de futuros divorciados, 20% de casais felizes para sempre. Ele sugeriu aproveitar e passar esse fim de semana em zonas que nos são muito queridas: Serra da Lousã e zonas envolventes a Pedrógão Grande e Arganil. Refleti, mostrei a mota a um último interessado que compraria a minha ou uma concorrente, e decidi: “Os pneus estão a dar as últimas. Se não lhes metes 800km em cima, vais continuar a adiar a troca. Vai!”.

E fui.

Às 20h acaba o trabalho, pego na mota, o presidente já me espera. Atacamos a autoestrada enquanto testamos os novos intercomunicadores. Que luxo! Imagino esta viagem impossível sem aquele fantástico aparelho, que ocupa os tempos monótonos com conversa e permite interagir como se seguíssemos no interior de um carro…mas em bom! Paramos em Torres Novas para um hambúrguer da glória, e qual não é o nosso espanto quando percebemos que toda a gente recebeu o memorando! A cidade inteira aguarda pela nossa chegada no interior do restaurante, cujos lugares sentados foram cuidadosamente escolhidos para que sobrassem apenas dois junto a uma família. Uma de várias, visto que o memorando pelos vistos foi a festa de final de ano da escola vizinha. Tudo bem, eu vivo melhor sem mediatismo!

Calorias ingeridas. Não as suficientes, já que ambos sentimos vontade de aumentar a dosagem. Vontade que só não se materializou porque aparentemente foi subindo a faixa etária a terminar a festa. Dirigimo-nos às montadas e surge a pergunta: Quem tem a melhor namorada? Tínhamos à espera um sortido de bolos gentilmente cedidos pela minha noiva <3 Barriga cheia, finalmente!

Sol posto, km’s feitos, veados avistados (assim alega o presidente), Serra da Lousã atravessada e chegamos ao destino. Prontos para uma boa noite de descanso, mas não sem a aguardada sms a dizer que a escolha caiu na mota da concorrência…Acho que a NC quer mesmo ficar comigo, custe o que custar!

Dia seguinte dá-se a alvorada, o dia é de peregrinar entre praias fluviais! Rota semi-traçada, pequeno almoço dos campeões tomado, segue caminho. Primeira praia é a Sra. da Piedade, Lousã. Água fria, sol quente, uma boa vista e os corpos arrefecidos. Segue a próxima!

Praia Fluvial Sra. da Piedade

Cedo percebemos que a nossa missão será dificultada: Quinta-feira tinha havido tempestade. Trovejou, choveu bastante e, para azar de quem tinha comportas das praias fechadas, houve inundação. Para quem aguentou a ansiedade e manteve as comportas abertas houve apenas necessidade de lidar com lama e detritos derivados da instabilidade dos solos: consequência dos incêndios que desfizeram a paisagem de quase toda a zona por onde circulámos. Debatemos e surge o consenso: o presidente nunca mergulhou em Côja, praia que eu bem conheço.

Côja, água a sair por cima da “barragem”, qual mês de fevereiro. Corrente forte, praia meio inundada e muita gente a aproveitar para refrescar. Nunca eu tinha mergulhado nesta praia assim. Nunca me tinha sabido tão bem mergulhar ali!

O dia fica curto em praias, o objetivo parece falhado. Errado! Andar de mota é sempre bom, nesta zona ainda melhor! Damos o mergulho por terminado e vamos rumo a um objetivo antigo: o baloiço!

O maldito baloiço, que tentámos alcançar uma vez e que causou a queda de um camarada, fica algures no coração da Serra da Lousã, perto do Trevim, onde também estivéramos a realizar uma sessão de fotos. Motas para “cima” do baloiço, qual vingança servida em copo gelado, fotos tiradas e sensação de dever cumprido. No processo tivemos oportunidade de provar a um casal que não fez bem o trabalho de casa: casados há um ano, insatisfeitos com o fotógrafo; no baloiço há minutos, com uma foto para recordar – já publicada em rede social – gentilmente tirada pelo presidente, que mostrou não ser a causa do insucesso matrimonial.

Trevim
O baloiço

Dia 3, rumo à praia fluvial de Cardigos. Motas estacionadas à beira da água, mergulhos dados e temos o corpo fresco para seguir caminho. Últimos km’s estrada fora até Santarém, onde a A1 acolhe os últimos pedaços do meu pneu traseiro. No destino estou feliz: junto à minha noiva, ainda a querer vender a mota, mas convicto de que, na verdade, não preciso.

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